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06/06/2022

Vet News 16 de Maio, 2022

Vet News 16 de Maio, 2022

 

1. Central Bela Vista inaugura Centro Tecnológico em Botucatu

A demanda do mercado interno e, especialmente, de compradores internacionais, está exigindo dos pecuaristas brasileiros maior eficiência na produção de carne. Ao mesmo tempo, aumentam as exigências por maior qualidade e cortes especiais no mercado de exportação.

Para atender essas exigências, a produção precisa de maior rendimento e, ao mesmo tempo, maior controle de qualidade. Pensando em suprir essas demandas, a Central Bela Vista, parte do Grupo CRV, inaugurou um novo Centro Tecnológico (CT) no qual será possível identificar quais touros podem transmitir com segurança essas características a seus descendentes.

Construído dentro do complexo da empresa em Botucatu (SP), o CT da Bela Vista integra a experiência da empresa na identificação genética e tratamento de touros à “Prova de Desempenho” dos animais para saber qual deles ganha mais peso comendo menos alimento.

Segundo o gerente comercial da Bela Vista, Pedro Araújo, com a ajuda da eletrônica, o centro tecnológico oferece um controle muito apurado dos testes realizados. “A partir do momento que o animal chega, ele recebe um brinco eletrônico e, quando vai comer no cocho, que também tem controle eletrônico, o chip do brinco é lido e mede-se a quantidade de comida ingerida. E toda vez que o animal bebe água, o chip é novamente lido e, no bebedouro, há uma balança que pesa o touro”, explica.

Após a pesagem, os animais são submetidos a uma ultrassonografia da carcaça para medir a área de olho de lombo (AOL), a espessura de gordura subcutânea e o marmoreio. Também é realizada uma ultrassonografia testicular que avalia o potencial reprodutivo dos animais. O processo dura 77 dias e o resultado auxilia na identificação dos animais com alta eficiência na conversão de alimento em peso e na qualidade da carcaça.

De acordo com informações da empresa, há uma grande procura pela tecnologia e uma grande exigência tanto do mercado doméstico quanto do de exportação. “Os produtores querem eficiência e carne de qualidade”, afirma o gerente comercial.

A Bela Vista já tem um programa em andamento no centro tecnológico junto com a Confraria da Carcaça Nelore. O programa começou no dia 6 de abril com a escolha, pesagem e identificação de 140 animais que passaram por avaliação biométrica e receberam seus brincos.

Com os dados computados, os animais serão destinados ao 2º Leilão Reprodutores Confraria da Carcaça Nelore. “Os dados do CT da Bela Vista passarão a integrar o registro definitivo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), o que será mais um diferencial para a empresa como provedora de serviços de qualidade e para os proprietários que poderão se beneficiar com animais mais bem avaliados”, ressalta Pedro Araújo.

Ainda segundo ele, no futuro, a ideia seria fazer a mesma prova com as fêmeas. Nesse caso, as etapas seriam as mesmas às quais são submetidos os machos com apenas duas diferenças, a ultrassonografia do aparelho reprodutor dos animais e aspiração folicular para a produção de embriões.

Artigo disponível em:

https://sba1.com/noticias/noticia/19623/Central-Bela-Vista-inaugura-Centro-Tecnologico-em-Botucatu

 

2. Conteúdo Técnico

Biotécnicas reprodutivas e moleculares unem forças para acelerar o avanço genético

O melhoramento genético é uma estratégia poderosa para melhorar os avanços da pecuária ao longo das gerações, principalmente porque os resultados obtidos com a seleção são permanentes e cumulativos. A agricultura sustentável e o aumento da eficiência produtiva devem andar lado a lado para obtenção de resultados mais lucrativos. Em linhas gerais, a eficiência pode ser definida como a obtenção de máxima produtividade com o mínimo de desperdício, ou em outras palavras, produzir mais com os mesmos recursos ou, se possível, menos recursos. No contexto do melhoramento genético, a seleção genômica em combinação com tecnologias de reprodução assistida permitiram uma seleção mais precisa e intensa, propiciando a escolha mais assertiva de reprodutores geneticamente superiores, acelerando assim as taxas de ganho genético.

Comparado com outras espécies, os bovinos têm um longo intervalo de gerações e baixos índices de fertilidade, o que, por sua vez, atrasa o progresso genético. Com isso, torna-se ainda mais importante incorporar novas tecnologias ao sistema reprodutivo adotado nas fazendas para minimizar os efeitos indesejáveis atrelados ao longo intervalo de gerações e dos desafios reprodutivos que a atividade pecuária proporciona.

A força do melhoramento genético no combate dos baixos indicadores pode ser bem observada, por exemplo, pelo aumento da eficiência de produção no gado leiteiro Norte Americano, que da década de 40 até hoje, aumentou em mais de quatro vezes a produção média de leite por vaca, de 2.000 kg/vaca na década de 40 para mais de 10.000 kg/vaca nos anos 2000. Estima-se que cerca de 50% dos o aumento da produtividade por animal observado nos rebanhos bovinos pode ser atribuído exclusivamente ao aumento das taxas de ganho genético obtidos por meio da inseminação artificial, além de outras biotécnicas reprodutivas. Para aumentar a intensidade de seleção, transferência de embriões e fertilização in vitro foram incorporados em esquemas de reprodução, aliados com a utilização da ferramenta genômica, permitindo seleção mais rápida e eficaz. O desenvolvimento de técnicas de genotipagem baseadas nas informações moleculares permitiu antecipar a identificação do mérito de um animal com base em seu DNA, o que aumentou a acurácia do processo. Além disto, a seleção genômica pode fornecer precocemente as informações sobre características que são registradas em fases tardias da vida, ou ainda, que são muito difíceis ou caros de serem mensuradas.

O melhoramento genético continuará sendo uma peça-chave para os avanços na pecuária e, agora mais do que nunca, deverá aproveitar-se ao máximo dos que as biotécnicas reprodutivas e moleculares tem a oferecer para identificação e utilização intensa de reprodutores geneticamente superiores, que otimizarão os resultados apresentados nas próximas gerações de bovinos.

Prof. Dr. Victor Pedrosa – UEPG e Conselheiro Técnico da CRV.